Doença celíaca ou sensibilidade ao glúten não celíaca?

No Simpósio Clínico da AGA, terça-feira (22/5), o Prof. Joseph A. Muray, da Mayo Clinic, esclareceu em sua apresentação que a doença celíaca apresenta-se com uma condição bem definida. A doença se caracteriza por uma inflamação no intestino delgado, que ocorre em indivíduos geneticamente predispostos (DQ2/8), com formação de anticorpos e dependente do glúten.

O seu diagnóstico em indivíduos que estão ingerindo glúten pode ser feito por meio da detecção de anticorpos específicos (TTg-Iga ou DPG IgA/IgG), biópsia duodenal e confirmada pela retirada do glúten da dieta.

Por outro lado, a sensibilidade ao glúten não celíaca pode ser definida como desordens ou condições morfológicas, imunológicas ou funcionais que respondem à exclusão do glúten, na ausência de doença celíaca. Esta condição pode ser encontrada, por exemplo, em muitos pacientes com síndrome do intestino irritável (SII), que respondem favoravelmente à retirada do glúten da dieta.

Já o Prof. David S. Sanders, da University of Shefield, demonstrou em estudos experimentais, que o glúten induziu ativação da imunidade inata e disfunção neuromotora intestinal em ratos, na ausência de uma resposta autoimune.

Concluiu sua apresentação dizendo que o glúten pode induzir ao aparecimento de sintomas funcionais, tanto em animais de experimentação com em seres humanos, na ausência de doença celíaca e que os mecanismos que explicam tais alterações não estão esclarecidos.

Dr. Mauro Bafutto
CRM: GO 4705
- Professor da disciplina de Gastroenterologia da Faculdade de Medicina da Universidade Federal de Goiás – FMUFG
-Diretor Clínico e Investigador Principal do Instituto Goiano de Gastroenterologia e Endoscopia Digestiva